sábado, 28 de março de 2015

Recordações e Emoções!



Talvez por falta de inspiração ou porque o “cabedal” não tem andado muito afinado, não tenho comentado quase nada nos vossos Blog`s, nem inserir algo no “Blog Coisas do Verde”.
Como o desleixo é, apanágio de quem pouco trabalha ou não quer fazer nada, a indolência levou-me a adiar aquilo que hoje vou escrever:
No dia 20 do corrente mês fui convidado pelo meu genro para visitar uma Senhora que tinha sido operada ao coração, num Hospital de Coimbra em 1997, companheira da minha filha submetida a operação semelhante.
Fomos jantar a Febres, freguesia de Cantanhede, concelho de Coimbra onde também pernoitamos em casa de familiares.
No dia 21, saímos pela manhãzinha com destino a Estremoz, mais concretamente para S. Domingos de Ana Loura, onde vive esse casal – D.ª Domingas e Sr. José Guerra.
Almoçamos lá, conversamos e, cerca das 16:00 horas abalamos novamente para Febres, passando ali o resto do fim de semana, antes de regressarmos a casa no Domingo.
Não teria muita importância para os filhos da Escola, falar deste percurso, não fora a lembrança que aflorava à minha memória das localidades por onde passei, e que fui, e que vou enumerar, não todas mas algumas, para formalizar os nomes de antigos Filhos da Escola:
Valongo, Barbosa; Cacia, Manuel Paula; Alvaiázere, Rosa da Silva; Figueiró dos Vinhos, Acordeonista; Sertã , Ángelo; Ortiga, Júlio; Gaivão, Paixão; Malpica do Tejo, Marciano; Elvas, Óscar e o Elvas Grande. Tínhamos intenção de passar pelo Barreiro, zona de muitos camaradas, como o Bento, Alves, Octávio, Pintado, Toucinho e outros, mas o tempo foge-nos ou a gente foge do tempo...
Foi uma forma engraçada de passar o tempo, naquela grande viagem, esquematizando este pequeno “labirinto” de recordações tão fraternas que nos deixam saborear as mais dignas e puras saudades!

O meu Abraço para todos os Filhos da Escola a quem desejo Santa Páscoa!


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A irreverência e a sabedoria!



Já fui jovem e em determinada altura pensava que sabia tudo, muito mais que aqueles “velhos professores ou velhos militares” que “pararam no tempo”. Mas, felizmente, essa “febre” passou-me depressa.
Quando fui para a Marinha, encontrei jovens provenientes de todo o país, onde  havia de tudo, desde os mais ingénuos aos muito vividos, dos pacatos aos traquinas, dos estudiosos aos grandes “calaceiros”. E, como em todas as escolas, quartéis ou outros estabelecimentos de ensino também existiam os “profissionais” das cábulas e dos copianços.
Tive diversos professores e instrutores cada um com a sua maneira de ser e de ensinar. Curiosamente, aquele que mais me marcou em termos militares foi o Sargento Bicho. Por sinal não era um bicho mas um excelente homem! De espírito vivo, inteligência rara e excelente cultura geral, tinha grande rapidez de raciocínio, óptima voz de comando e resposta rápida. ´
Nisto de reações rápidas, conta-se que numa universidade decorria uma aula com toda a normalidade quando um dos alunos sentado nas carteiras da frente “largou” um estrondoso e sonoro “traque ou peido” deixando a malta a rir. Lá no fundo, o Paulo que era irreverente e reativo, levantou-se, saltou para cima da carteira e com um gesto dramático, anunciou: “E soa a trombeta castelhana…”
O professor, homem magro e de estatura baixa, como que disparado por uma mola e em jeito de copianço do Paulo, pôs-se em pé em cima da cadeira, estendeu o braço e, com voz imperial, retorquiu: “Então ponha-se imediatamente lá fora para ver se os espanhóis estão a chegar…”
Sempre se confrontaram as partes, estando de um lado a jovialidade, a irrequietude e a irreverência dos alunos ou instruendos e, do outro, a sabedoria, a experiência e a tranquilidade dos que mandam, nesse processo complexo e muito importante que é a educação. Noutros tempos existia muito mais respeito de alunos para com professores do que agora, incomparavelmente, mas não quer dizer que não tentassem fazer-lhes alguma malandrice. E essa vontade de o pôr em causa mantem-se através dos tempos.
Numa universidade brasileira os alunos de uma turma resolveram divertir-se à custa de um professor. Arranjaram um burro, fecharam-no na sala onde seria dada a aula e esconderam-se perto da porta de entrada para gozarem com a previsível reação do mestre. Este chegou de pasta na mão, abriu a porta, entrou e fechou-a atrás de si. E os alunos ficaram na espectativa.
O tempo foi passando sem que o professor desse acordo de si, até que o sinal sonoro assinalou a hora de saída. Então viram a porta abrir-se e ele a sair descontraidamente de pasta na mão, como se nada de anormal se tivesse passado. A frustração foi geral, porque não deu oportunidade ao esperado gozanço.
O professor deu a aula seguinte com toda a naturalidade, sem fazer qualquer alusão ao ocorrido, como se não tivesse apercebido de nada mas, um pouco antes de acabar e quando já todos arrumavam as coisas para saírem, pediu aos alunos um momento de atenção e disse-lhes: “Amanhã haverá teste. A matéria é a que foi dada na aula anterior. Se tiverem dúvidas, perguntem ao vosso único colega que esteve cá”.
Ao outro dia houve teste e, claro, tiveram todos zero…
O povo, na sua sabedoria, resume tudo isto numa simples frase: “Ir buscar lã e sair tosqueado”.
Já Bernard Baruch dizia que, “em cada profissão é preciso uma dose de sabedoria para se perceber, a cada mudança, a extensão da própria ignorância”.
Ora, com burros, nem para o céu...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Para quem gosta de Linguado!



  
Linguado é peixe
Por vezes deixa de o ser
Porque há quem deixe
O linguado para lamber.
De gastronomia farta
Portugal de lés-a-lés
Mas, só isso não basta
No seu palmarés.
Terra de cardápios
Equivalentes a menús
Onde abundam larápios
Como bordados de ponto de cruz.
Mas, voltemos ao linguado
Pois, minha ideia foi essa
Que pode ser ensopado
Servido numa travessa.
É tão grande a variedade
De pratos para ictiófago
Que escolher gera dificuldade
Para satisfazer o isófago.
Linguado por baixo
Linguado por cima
Linguado à Cartaxo
Linguado sem espinha.
Linguado deitado
Linguado de pé
Linguado de lado
P`ra Maria e p`ro Zé
Linguado às escuras
Linguado em plena tarde
Linguado nas curvas
Linguado à abade
Linguado de costas
Linguado de barriga
Linguado de cócoras
Linguado na birilha
Encostado à parede
Linguado à paraquedista
Linguado no tapete
Linguado à ciclista
Linguado à 69
Linguado à fuzileiro
Linguado à pobre
Linguado à mineiro
Linguado de toda a maneira
Linguado assado na brasa
Linguado de alheira
Linguado feito em casa
Linguado sofredor
Linguado a tempo inteiro
Linguado de primor
Para quem chegar primeiro
Linguado à francês
Linguado lá p`ro fundo
Eu, gosto do português
Não há igual no mundo!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Há memórias de tudo...



As memórias de uma tampa de sanita

 
Velha e desconchavada, substituída e atirada para o lixo como coisa inútil, deu-me para escrever as memórias, porque é a única coisa que ainda pode fazer uma velha. É verdade que hoje as pessoas passam por mim e nem se dignam sequer olhar-me. Não admira, é do hábito, pois fazem o mesmo com os seus velhos… Mas, eu sou aquela que, ao passar por qualquer pessoa, posso dizer com toda a propriedade: “Já te conheço o cu”…
Feita de madeira e lacada a branco, cedo tive a mania das grandezas, não aceitando a companhia das minhas primas de plástico por as considerar “de baixa condição”. Quando fui colocada numa sanita de gente importante, por onde passariam “rabos” mediáticos e seletos, essa mania mais se acentuou, embora hoje me arrependa. Pensava que, pela minha condição, daria poiso a “rabos reais”, macios e bem cheirosos. Mas estava bem enganada pois são como os outros e o meu “sofrimento” foi o mesmo daquelas a quem eu chamava “ralé”. Sem qualquer diferença. Além disso, relembraram-me que a minha bisavó era uma tábua de pinho com um buraco no meio…
Recordo com saudade a senhora Maria. Limpava-me todos os dias com um produto que me deixava a “pele” macia e leitosa. Até tinha o cuidado de deitar na água do fundo da sanita um produto para me evitar cheiros incómodos. Sim, porque cedo aprendi que os produtos “despejados” na sanita por todos aqueles rabos, por mais dignos que fossem, ou “cheiravam muito mal ou muitíssimo mal”… Até os gases, aqueles malditos gases disparados como bombas ou “de fininho”, deixavam-me tão tonta, que cheguei a pensar “ganzar-me” com eles. Ainda pensei que os donos de “padarias” mais aperaltadas tomassem uma colher de perfume pela manhã para, quando estas se “abrissem” e deixassem sair algum “artigo” ou mesmo que fosse só para “falar” com “voz” mais ou menos forte, exalassem um odor agradável, dos que dá gosto cheirar. Mas não, nem esses fugiam à regra e estava sempre sob um “stress odorífico” terrível, que me impedia de luzir…
Dos homens tenho muitas queixas, pois eram brutos e porcos. Batiam o tampo com força, sentavam-se de qualquer forma e faziam chichi lá do alto do aro, borrifando-o e “regando” o pavimento em redor, pondo os “cabelos em pé” à senhora Maria, que se fartava de resmungar.
Só de ver os garotos ficava assustada porque batiam com o tampo no aro só para se divertirem, para além de, sempre que faziam as suas necessidades, nunca descarregavam o autoclismo. Então, o cheiro pestilento subia do fundo da sanita e entrava-me pelos poros dentro, até a sra. Maria me salvar quando descobria a marotada.
Sofria muito das “dobradiças” porque havia rabos muito pesados, sendo os piores aqueles que nunca estavam quietos, forçando-me as “articulações” a esforços suplementares. Aliás, classificava os “ditos cujos” pelo tempo de permanência no meu buraco: Uns “faziam visita de médico” pois ainda nem tinham acabado de se sentar e já o “saco” estava despejado, não chegando sequer a aquecer o aro. Em contraste, havia os que ficavam horas seguidas, com tempo para dormir ou ler um livro completo. Por falar em livro, nunca percebi bem a razão de eu induzir à leitura. Mal se alapavam em cima de mim, dava-lhes umas ganas de ler que tudo servia. Até a lista telefónica… Aliás, era um bom local para escrever no Facebook.
Dos meus utilizadores, recordo com muita pena os sofredores. Ficavam a puxar tempos infinitos, sentia-lhes o suor frio a escorrer pelo corpo e via as lágrimas nos olhos enquanto gemiam… E quando saía algo, era duro, tão duro como o granito, mais parecendo que assistia a um parto do que a um ritual diário…
Pelo contrário, outros eram rápidos e disparavam “em esguicho”, atingindo-me quando não dava tempo para se sentarem…
Confesso que tenho saudades de sentir os rabos coladinhos a mim. Gostava muito dos peludos apesar de me fazerem cócegas no aro e darem-me vontade de rir. No entanto, também me davam grande prazer os depilados, macios e suaves qual seda, quase sempre de senhoras mais ou menos jovens.
A sra. Maria era muito minha amiga. Um dia arranjou-me uma capa em tecido grosso e garrido que me dava um grande conforto, em especial nos dias frios. E eu sentia-me bem com aquela capa a aconchegar-me o tampo. Mas foi sol de pouca dura pois o dono da casa, que era dos que “regava” o pavimento ao redor, resmungava e implicava com aquilo dizendo que era “uma mariquice” e não descansou enquanto a senhora não me voltou a despir.
A minha prima foi colocada numa repartição pública. Coitada dela, teve uma vida difícil pois era sempre um a seguir ao outro. Só à noite, depois da limpeza, é que podia descansar para, no dia seguinte, se repetir o massacre. Contou-me que nunca percebeu porque é que muitas pessoas lhe limpavam o aro antes de assentarem o traseiro, havendo até quem o forrasse por completo com papel higiénico. Chegou a pensar que a estavam a embrulhar para enviar de presente a alguém, mas nunca tal aconteceu, tendo ficado no mesmo sítio até lhe darem o meu destino: A reforma.
Quando as dobradiças começaram a dar de si e a tinta a lascar, perdi as ilusões e senti que ia ser descartada. No dia em que o tampo se separou do aro, o dono da casa disse à mulher: “Maria, a tampa da sanita está velha, temos de a substituir e mandar para o lixo”. Vi logo que me iam fazer o mesmo que tinham feito aos pais quando envelheceram e os “despacharam” não sei para onde. Já não foi surpresa quando me “despediram” do lugar que ocupava na sanita há tantos anos, sem uma atenção, sem uma festa de despedida ou agradecimento, e me mandaram para a lixeira, aquilo a que eles vulgarmente chamam de “REFORMA”… Aquilo a que os franceses vulgarmente chamam de “RETRAITE” (RETRETE)…Pura coincidência… ou talvez não…

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Objectivo Importante!

"Ser capaz de utilizar correctamente os sinais de pontuação naquilo que escrevemos"
Um passageiro dirigiu-se a um motorista de Táxis e perguntou-lhe:
- Por favor, diga-me quanto tenho de pagar daqui até minha casa, que fica na Rua dos Aflitos?
- Cerca de mil escudos.
- E as malas? O motorista riu-se, e respondeu:
- As malas não pagam nada!
- Nada! Então, por favor leve-me as malas a casa, que eu vou a pé.
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(.) Ponto final - o ponto final termina as frases.
(,) Vírgula - a vírgula indica uma pequena pausa.
(:) Dois pontos - anunciam a falta de uma personagem, uma enumeração ou uma explicação.
(-) Travessão - aparece nos diálogos para indicar a fala dos personagens.
(?) Ponto de interrogação - indica que se faz uma pergunta.
(!) Ponto de exclamação - usa-se para indicar espanto, admiração.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Aceitar os bons conselhos... dos Pais!



Resultado de imagem para noivos 






Se pensastes em casar
Logo em dia de Entrudo
Quando algo fores comprar:
Ó filha nunca gastes tudo!
Aprenderás no matrimónio;
Casar é um caso bicudo
Há que poupar o património:
Ó filha nunca gastes tudo!
Este mundo é uma chatice
Onde há muito casmurro
Não caias na malandrice:
Ó filha nunca gastes tudo!
Todos falam em crise
A vida está um canudo
Cuidado com o deslise:
Ó filha nunca gastes tudo!
Quando fores defecar
Se não tiveres papel
É melhor, se calhar
Limpa o olho ao lenço do Abel
Ou, porventura ao jornal
Nesse teu olhar sisudo
Para não acabar mal:
Ó filha nunca gastes tudo!
Para chegares ao final   
Sorrindo como um miúdo
Evitas desgraçar Portugal:
Por isso, nunca gastes tudo!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Funeral do Azevedo com chuva e frio!

 Este poema, está também em comentário no Tintinaine.

Tanto se nasce
Como se morre,
Neste volte-face
Mesmo quando chove...
Para os amigos não há clima;
Lembram os tempos antigos
Com elevada estima,
Encontrando na memória
Que aflora ao de cima;
A morte tira-nos a glória
Surgindo em qualquer esquina...
Assim, vamos perdendo espaço
Neste mundo de rapina
Que nem mesmo um abraço
Diminui esta negra sina...
Como a velhice, nos atropela
Ao colocar na retina
A ideia da sovela...
Porque, quando menos convém
Surge a forte picadela
Da morte sem desdém...
Partindo sem endereço,
Claro, não fica cá ninguém:
O fim é pior que o começo!
Nem as lágrimas...
Nem o pranto...
Nem as horas árduas
Que custam tanto...
Nem a saudade,
Nem o amor?...
Ondes estás ó liberdade?
Livra-nos deste terror.
Põe sentinelas...
Duplas, com guarda-costas
E, dá-nos outras caravelas
Se, não te importas
Com novas velas,
Para navegarmos ao largo
Fugindo a vinte nós, assaz,
Deste sabor amargo
Que a morte nos traz...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Uma Santa Páscoa para todos !



 Desejo a todos os meus amigos (as) uma Páscoa Feliz e Santa, cheia de coisas boas !

Com aquele e sempre forte abraço do,

Verde e esposa