sábado, 13 de dezembro de 2014

Há memórias de tudo...



As memórias de uma tampa de sanita

 
Velha e desconchavada, substituída e atirada para o lixo como coisa inútil, deu-me para escrever as memórias, porque é a única coisa que ainda pode fazer uma velha. É verdade que hoje as pessoas passam por mim e nem se dignam sequer olhar-me. Não admira, é do hábito, pois fazem o mesmo com os seus velhos… Mas, eu sou aquela que, ao passar por qualquer pessoa, posso dizer com toda a propriedade: “Já te conheço o cu”…
Feita de madeira e lacada a branco, cedo tive a mania das grandezas, não aceitando a companhia das minhas primas de plástico por as considerar “de baixa condição”. Quando fui colocada numa sanita de gente importante, por onde passariam “rabos” mediáticos e seletos, essa mania mais se acentuou, embora hoje me arrependa. Pensava que, pela minha condição, daria poiso a “rabos reais”, macios e bem cheirosos. Mas estava bem enganada pois são como os outros e o meu “sofrimento” foi o mesmo daquelas a quem eu chamava “ralé”. Sem qualquer diferença. Além disso, relembraram-me que a minha bisavó era uma tábua de pinho com um buraco no meio…
Recordo com saudade a senhora Maria. Limpava-me todos os dias com um produto que me deixava a “pele” macia e leitosa. Até tinha o cuidado de deitar na água do fundo da sanita um produto para me evitar cheiros incómodos. Sim, porque cedo aprendi que os produtos “despejados” na sanita por todos aqueles rabos, por mais dignos que fossem, ou “cheiravam muito mal ou muitíssimo mal”… Até os gases, aqueles malditos gases disparados como bombas ou “de fininho”, deixavam-me tão tonta, que cheguei a pensar “ganzar-me” com eles. Ainda pensei que os donos de “padarias” mais aperaltadas tomassem uma colher de perfume pela manhã para, quando estas se “abrissem” e deixassem sair algum “artigo” ou mesmo que fosse só para “falar” com “voz” mais ou menos forte, exalassem um odor agradável, dos que dá gosto cheirar. Mas não, nem esses fugiam à regra e estava sempre sob um “stress odorífico” terrível, que me impedia de luzir…
Dos homens tenho muitas queixas, pois eram brutos e porcos. Batiam o tampo com força, sentavam-se de qualquer forma e faziam chichi lá do alto do aro, borrifando-o e “regando” o pavimento em redor, pondo os “cabelos em pé” à senhora Maria, que se fartava de resmungar.
Só de ver os garotos ficava assustada porque batiam com o tampo no aro só para se divertirem, para além de, sempre que faziam as suas necessidades, nunca descarregavam o autoclismo. Então, o cheiro pestilento subia do fundo da sanita e entrava-me pelos poros dentro, até a sra. Maria me salvar quando descobria a marotada.
Sofria muito das “dobradiças” porque havia rabos muito pesados, sendo os piores aqueles que nunca estavam quietos, forçando-me as “articulações” a esforços suplementares. Aliás, classificava os “ditos cujos” pelo tempo de permanência no meu buraco: Uns “faziam visita de médico” pois ainda nem tinham acabado de se sentar e já o “saco” estava despejado, não chegando sequer a aquecer o aro. Em contraste, havia os que ficavam horas seguidas, com tempo para dormir ou ler um livro completo. Por falar em livro, nunca percebi bem a razão de eu induzir à leitura. Mal se alapavam em cima de mim, dava-lhes umas ganas de ler que tudo servia. Até a lista telefónica… Aliás, era um bom local para escrever no Facebook.
Dos meus utilizadores, recordo com muita pena os sofredores. Ficavam a puxar tempos infinitos, sentia-lhes o suor frio a escorrer pelo corpo e via as lágrimas nos olhos enquanto gemiam… E quando saía algo, era duro, tão duro como o granito, mais parecendo que assistia a um parto do que a um ritual diário…
Pelo contrário, outros eram rápidos e disparavam “em esguicho”, atingindo-me quando não dava tempo para se sentarem…
Confesso que tenho saudades de sentir os rabos coladinhos a mim. Gostava muito dos peludos apesar de me fazerem cócegas no aro e darem-me vontade de rir. No entanto, também me davam grande prazer os depilados, macios e suaves qual seda, quase sempre de senhoras mais ou menos jovens.
A sra. Maria era muito minha amiga. Um dia arranjou-me uma capa em tecido grosso e garrido que me dava um grande conforto, em especial nos dias frios. E eu sentia-me bem com aquela capa a aconchegar-me o tampo. Mas foi sol de pouca dura pois o dono da casa, que era dos que “regava” o pavimento ao redor, resmungava e implicava com aquilo dizendo que era “uma mariquice” e não descansou enquanto a senhora não me voltou a despir.
A minha prima foi colocada numa repartição pública. Coitada dela, teve uma vida difícil pois era sempre um a seguir ao outro. Só à noite, depois da limpeza, é que podia descansar para, no dia seguinte, se repetir o massacre. Contou-me que nunca percebeu porque é que muitas pessoas lhe limpavam o aro antes de assentarem o traseiro, havendo até quem o forrasse por completo com papel higiénico. Chegou a pensar que a estavam a embrulhar para enviar de presente a alguém, mas nunca tal aconteceu, tendo ficado no mesmo sítio até lhe darem o meu destino: A reforma.
Quando as dobradiças começaram a dar de si e a tinta a lascar, perdi as ilusões e senti que ia ser descartada. No dia em que o tampo se separou do aro, o dono da casa disse à mulher: “Maria, a tampa da sanita está velha, temos de a substituir e mandar para o lixo”. Vi logo que me iam fazer o mesmo que tinham feito aos pais quando envelheceram e os “despacharam” não sei para onde. Já não foi surpresa quando me “despediram” do lugar que ocupava na sanita há tantos anos, sem uma atenção, sem uma festa de despedida ou agradecimento, e me mandaram para a lixeira, aquilo a que eles vulgarmente chamam de “REFORMA”… Aquilo a que os franceses vulgarmente chamam de “RETRAITE” (RETRETE)…Pura coincidência… ou talvez não…

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Objectivo Importante!

"Ser capaz de utilizar correctamente os sinais de pontuação naquilo que escrevemos"
Um passageiro dirigiu-se a um motorista de Táxis e perguntou-lhe:
- Por favor, diga-me quanto tenho de pagar daqui até minha casa, que fica na Rua dos Aflitos?
- Cerca de mil escudos.
- E as malas? O motorista riu-se, e respondeu:
- As malas não pagam nada!
- Nada! Então, por favor leve-me as malas a casa, que eu vou a pé.
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(.) Ponto final - o ponto final termina as frases.
(,) Vírgula - a vírgula indica uma pequena pausa.
(:) Dois pontos - anunciam a falta de uma personagem, uma enumeração ou uma explicação.
(-) Travessão - aparece nos diálogos para indicar a fala dos personagens.
(?) Ponto de interrogação - indica que se faz uma pergunta.
(!) Ponto de exclamação - usa-se para indicar espanto, admiração.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Aceitar os bons conselhos... dos Pais!



Resultado de imagem para noivos 






Se pensastes em casar
Logo em dia de Entrudo
Quando algo fores comprar:
Ó filha nunca gastes tudo!
Aprenderás no matrimónio;
Casar é um caso bicudo
Há que poupar o património:
Ó filha nunca gastes tudo!
Este mundo é uma chatice
Onde há muito casmurro
Não caias na malandrice:
Ó filha nunca gastes tudo!
Todos falam em crise
A vida está um canudo
Cuidado com o deslise:
Ó filha nunca gastes tudo!
Quando fores defecar
Se não tiveres papel
É melhor, se calhar
Limpa o olho ao lenço do Abel
Ou, porventura ao jornal
Nesse teu olhar sisudo
Para não acabar mal:
Ó filha nunca gastes tudo!
Para chegares ao final   
Sorrindo como um miúdo
Evitas desgraçar Portugal:
Por isso, nunca gastes tudo!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Funeral do Azevedo com chuva e frio!

 Este poema, está também em comentário no Tintinaine.

Tanto se nasce
Como se morre,
Neste volte-face
Mesmo quando chove...
Para os amigos não há clima;
Lembram os tempos antigos
Com elevada estima,
Encontrando na memória
Que aflora ao de cima;
A morte tira-nos a glória
Surgindo em qualquer esquina...
Assim, vamos perdendo espaço
Neste mundo de rapina
Que nem mesmo um abraço
Diminui esta negra sina...
Como a velhice, nos atropela
Ao colocar na retina
A ideia da sovela...
Porque, quando menos convém
Surge a forte picadela
Da morte sem desdém...
Partindo sem endereço,
Claro, não fica cá ninguém:
O fim é pior que o começo!
Nem as lágrimas...
Nem o pranto...
Nem as horas árduas
Que custam tanto...
Nem a saudade,
Nem o amor?...
Ondes estás ó liberdade?
Livra-nos deste terror.
Põe sentinelas...
Duplas, com guarda-costas
E, dá-nos outras caravelas
Se, não te importas
Com novas velas,
Para navegarmos ao largo
Fugindo a vinte nós, assaz,
Deste sabor amargo
Que a morte nos traz...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Uma Santa Páscoa para todos !



 Desejo a todos os meus amigos (as) uma Páscoa Feliz e Santa, cheia de coisas boas !

Com aquele e sempre forte abraço do,

Verde e esposa

sexta-feira, 21 de março de 2014