sexta-feira, 25 de abril de 2014

Funeral do Azevedo com chuva e frio!

 Este poema, está também em comentário no Tintinaine.

Tanto se nasce
Como se morre,
Neste volte-face
Mesmo quando chove...
Para os amigos não há clima;
Lembram os tempos antigos
Com elevada estima,
Encontrando na memória
Que aflora ao de cima;
A morte tira-nos a glória
Surgindo em qualquer esquina...
Assim, vamos perdendo espaço
Neste mundo de rapina
Que nem mesmo um abraço
Diminui esta negra sina...
Como a velhice, nos atropela
Ao colocar na retina
A ideia da sovela...
Porque, quando menos convém
Surge a forte picadela
Da morte sem desdém...
Partindo sem endereço,
Claro, não fica cá ninguém:
O fim é pior que o começo!
Nem as lágrimas...
Nem o pranto...
Nem as horas árduas
Que custam tanto...
Nem a saudade,
Nem o amor?...
Ondes estás ó liberdade?
Livra-nos deste terror.
Põe sentinelas...
Duplas, com guarda-costas
E, dá-nos outras caravelas
Se, não te importas
Com novas velas,
Para navegarmos ao largo
Fugindo a vinte nós, assaz,
Deste sabor amargo
Que a morte nos traz...