terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Vai um pouco de marmelada?



Porque hoje estou bem disposto              

Vou falar-vos de marmelada

Para lhe tomardes o gosto

Estando ela bem adoçada...

Havendo tantos marmelos

Oferecidos, vendidos ao desbarato

Não será só ao vê-los

Que de marmelada me farto...

É preciso boa escolha

Apartar os que estão podres

E não é qualquer zarola

Que tem esses méritos nobres...

Separar os velhos dos novos

Tirar-lhe as pintas e caroços

Como quem descasca ovos

Ou saboreia um pires de tremoços...

Verificar quais os maduros

Sem menosprezar os verdes

Utilizar os menos cascudos

Para boa marmelada terdes...

Que o marmeleiro seja novo

Com seus rebentos viçosos

Marmelos com feitio de ovo

Com os bicos melindrosos...

Descascados à maneira

Cozidos em panela jeitosa

Onde o calor da fogueira

Faça a marmelada formosa...

Depois, deixá-los escorrer

Até às unhas dos pés

Nunca parar de mexer

Como quem embala bebés...

Açucar quanto baste

E uma varinha mágica

Que tenha firme a haste

Para não haver coisa trágica...

Servi-la à mesa, na cama,

À lareira, mesmo com frio,

Porque o marmelo é mama

No seu parecer e feitio...

Para quem gosta de doçaria

Tome nota a preceito

Vá comendo uma vez por dia

Mesmo que lhe falte o jeito

Da marmelada da Maria...

Segundo aquilo que pesquisei

Sobre o doce da marmelada

A esta conclusão cheguei:

Até pode ser feita à martelada...

2 comentários:

Valdemar Ribeiro Alves disse...

A língua portuguesa rica em palavras é propícia para fazer poesia... mas é preciso ir buscá-las!

TINTINAINE disse...

Arre porra! Por esta não esperava eu!
E eu que pensava oferecer uma colecção especial de "marmelos" na próxima sexta-feira, já não sei se deva!
Ou será que isto é um incentivo para me atirar de cabeça?